UMA KNUA DADOLIN DOKUMENTUS OPINIAUN SEARCH Online KANOIK LIAFUAN IMPRENSA

      PETISIONER TIMTIM

"Hau nia dignidadi la a'as liu dignidadi Nasaun nian".
RENETIL -
Nova Lideranca Mistica
.

Asaun 12 Junnu 1998: Okupasaun Edifisiu DEPLU iha Jakarta - Husi hau nia memoria rasik
LIVRO
RENETIL
LOMPAT
PAGAR
OPERASAUN
TREPE




PARA ALÉM DA NARRATIVA GERACIONAL: POLÍTICA DE QUALIDADE E SOBERANIA POPULAR

PARA ALÉM DA NARRATIVA GERACIONAL: POLÍTICA DE QUALIDADE E SOBERANIA POPULAR

Por: Carlos da Silva L.F.R. Saky

Na dinâmica política de Timor-Leste nos dias de hoje, o debate sobre as gerações voltou a ganhar força. Ouvimos frequentemente falar da geração antiga, da geração de transição e da nova geração como forma de explicar os diversos problemas do Estado — desde a estagnação das políticas públicas até às fragilidades da governação. Esta narrativa parece simples e fácil de compreender, mas uma explicação excessivamente simplista pode conduzir a conclusões erradas. A questão essencial não é qual geração governa, mas quem governa e com que qualidade o faz. A raiz do problema não está na geração que detém o poder, mas nos indivíduos que governam — se governam bem ou mal.

Enquanto categoria histórica, a divisão geracional tem o seu significado próprio. No contexto timorense, a geração antiga é composta por aqueles que participaram na luta de 1974/1975 e que transportaram a legitimidade da luta para a independência; a geração de transição integra os que participaram na resistência durante as décadas de 1980 e 1990, servindo de ponte entre o período da resistência e a consolidação do Estado; enquanto a nova geração é formada por aqueles que não participaram diretamente na luta de libertação, por serem demasiado jovens ou por terem nascido após a restauração da independência, enfrentando hoje os desafios da globalização, da tecnologia e da modernização económica. Contudo, uma categoria histórica não se transforma automaticamente numa categoria moral ou política. Quando os fracassos da governação são atribuídos diretamente a uma determinada geração, a análise perde profundidade e justiça. Em todas as gerações existem pessoas íntegras e pessoas corruptas, competentes e incompetentes, visionárias e oportunistas. Não há nenhuma geração naturalmente superior ou inferior do ponto de vista moral.

O problema da governação não é uma questão de idade nem de geração antiga ou jovem, mas sim de qualidade individual e solidez do sistema. O Estado é dirigido por pessoas que desempenham funções nas instituições. Se as políticas públicas não são eficazes, se os recursos públicos não são bem geridos, se os serviços públicos não respondem às necessidades do povo, isso não se deve à geração antiga, de transição ou nova, nem à idade dos governantes, mas à capacidade técnica, à integridade pessoal, à cultura política dominante e à eficácia dos mecanismos de fiscalização. A corrupção não conhece gerações; o profissionalismo também não depende da idade. Culpar uma geração inteira constitui uma generalização injusta e improdutiva, pois nem todos os membros de uma geração governam, nem uma geração pode assumir a responsabilidade pelos erros de um indivíduo. O exercício do poder é individual e, consequentemente, a responsabilidade também o é. A responsabilidade coletiva aplica-se apenas àqueles que governam em conjunto, não a uma geração enquanto tal.

Neste contexto, falar de “transição geracional” torna-se igualmente irrelevante. Num Estado democrático, o poder não é colocado numa bandeja para ser entregue de uma geração à outra. O poder não pertence a uma geração; pertence ao povo. Num regime democrático, o poder não é herança familiar transmitida de pai para filho. O poder deve ser conquistado através da confiança popular. É obtido por meio da legitimidade eleitoral, do apoio público e da convicção dos cidadãos de que um líder é capaz de governar com competência e responsabilidade. A lógica da herança do poder ou da transição geracional apenas se aplica em monarquias ou regimes autoritários baseados em dinastias. No Reino Unido, em Espanha, em Marrocos e noutras monarquias, quando o rei morre ou abdica, o poder é transmitido ao seu descendente; de igual modo, em regimes autoritários como a Coreia do Norte, o poder permanece no círculo familiar. Numa democracia, não existe direito automático de governar com base na linhagem ou na sucessão geracional. O poder não pertence a qualquer geração; pertence ao povo.

Enquadrar a política como mera passagem de testemunho entre gerações — como se existisse uma obrigação histórica de entregar o país dos mais velhos aos mais novos — contraria o próprio princípio democrático. Numa democracia, o que determina a liderança não é a idade, mas a confiança do povo. Um líder jovem não é automaticamente melhor por ser jovem, tal como um líder mais velho não perde legitimidade apenas por causa da idade. A legitimidade constrói-se pela capacidade de convencer a população de que governa com eficácia, integridade e visão.

A narrativa geracional pode ainda gerar polarizações simbólicas desnecessárias. Coloca experiência contra energia, passado contra futuro, como se ambos não pudessem coexistir. Contudo, o que o país necessita não é antagonismo entre idades, mas critérios claros de qualidade na liderança. Experiência e renovação podem coexistir, desde que avaliadas pela sua contribuição real. Sem critérios objetivos de competência e responsabilidade, o debate geracional transforma-se numa retórica que desvia a atenção das prioridades fundamentais: reforma institucional, transparência, meritocracia e melhoria dos serviços públicos.

Timor-Leste nasceu de uma longa luta e de grandes sacrifícios pela liberdade. A legitimidade histórica é um património moral que não pode ser negado e merece respeito. Contudo, na fase de consolidação do Estado, a legitimidade histórica deve caminhar lado a lado com a legitimidade do desempenho. A história concedeu a independência; a boa governação preserva e fortalece essa independência. Quando o governo não corresponde às expectativas, a crítica deve dirigir-se às políticas e decisões concretas, e não às categorias geracionais.

Por isso, é tempo de deslocar o debate público da narrativa geracional para uma política de qualidade. Uma política que valorize competência, integridade, responsabilidade e resultados. Uma política que coloque os cidadãos no centro e reconheça que o poder só é legítimo quando nasce da confiança popular. A pergunta relevante não é “que geração deve governar?”, mas sim “quem é capaz de governar bem e merece a confiança do povo?”. Neste quadro, indivíduos de qualquer geração — antiga, de transição ou nova — que possuam qualidade e capacidade devem ter igual oportunidade de governar.

Abandonar o debate geracional não significa apagar a história nem rejeitar a mudança. Significa afirmar maturidade democrática. Significa reconhecer que a democracia não é um sistema de herança, mas um sistema de escolha baseado na confiança e na responsabilidade. O poder não é propriedade de uma geração, mas um mandato que deve ser continuamente conquistado e renovado.

Em última análise, o problema do Estado não é a geração antiga, a geração de transição ou a nova geração. O verdadeiro problema é saber se os indivíduos que exercem o poder são ou não capazes de cumprir a sua missão com responsabilidade. Se pretendemos fortalecer o futuro de Timor-Leste, devemos concentrar-nos na qualidade da liderança e na solidez das instituições, e não na retórica geracional. É aí que a democracia encontra o seu verdadeiro significado e a política atinge a sua maturidade.

 

       


No comments:

Post a Comment


123456789
1. Membru RENETIL Ho Matan Ben Simu Matebian Lasama 2. Primeiru-Ministru Louva Livru RENETIL Publika kona-ba Kontribuisaun Istóriku ba Ukun An 3. Sekjer RENETIL ho Hakerek nain Carlos Saky entrega livru ba PR Taur MR 4. STL - Livru RENETIL iha Prosesu Libertasaun Timor-Lorosae 5. Lansamentu Livru Antes Sem Titulo do Que Sem Patria 6. Sasin no envolvimentu Dr. Rui de Araujo alias Agil nudar militante RENETIL 7. RENETIL - Nova Lideranca Mistica 8. Homenagem a Fernando Lasama de Araújo 9. PN Diskuti Malu Tamba Livru RENETIL